domingo, novembro 01, 2009

240-de sacola às costas...

Olá,
Pois é, lá tive que saltar o "rabinho" da cama, logo hoje que estava a saber tão bem, hhuuuummmm, mas como por aqui ainda se mantém a tradição de ir de porta em porta gritando, "tia pão-por-Deus" , calhou-me a mim receber a miudagem, cujos primeiros apareceram por volta das 9h10m .
Sinceramante, que me apeteceu juntar um grupo de amigos e ir também por aí recordar esses tempos de saca na mão, numa algazarra tão própria dos miudos...
Como é tradição, apesar de se notar cada vez menos participação da miudagem, celebra-se em Portugal, no dia de Todos os Santos. 01 de Novembro, esta tão característica visita às casas das redondezas, conhecida pelo pedir “Pão-por-Deus”
As crianças mais ou menos distribuídas por pequenos grupos, saem à rua para cumprir mais uma vez esta tradição. Acordam cedinho, e ainda com os olhos meio esbugalhados pelo mal dormir, saem de sacola na mão (alguns até levam suplente), se passeiam pela povoação, porta sim, porta também, chegando mesmo a deslocar-se às redondezas, de modo a que a justificação de tão grande caminhada seja compensada, com o regresso a casa, trazendo os seus sacos de pano recheados de romãs, batata-doce, castanhas, nozes, rebuçados, e por vezes até algumas moedas.
Apesar de se sentir mais esta festividade nas regiões do interior, também em outras zonas, há sempre uma ou noutra criança que procura seguir o que já no tempo dos seus pais e avós era um hábito. Acredito que a falta de se conseguir grupos, faça escassear a tradição, até porque, ainda me lembro, no meu tempo, poucos eram os que se aventuravam sozinhos, optando por pequenos grupos de 3 ou 4 crianças,pois o “investimento” se tornava mais rentável, quer pela algazarra que se fazia, quer porque a vergonha e a timidez não era tão notada, e depois, se havia um cão à porta era fugida quase certa pela rua abaixo, que até batíamos com os sapatos no rabiosque de tanto correr, se em grupo nada temíamos, quando sós, não nos aventurávamos.
Mas é ainda hoje, um dia especial, nada que se compare com outros anos, mas que ainda dá prazer ver a alegria que os olhos da pequenada transmite, quando quase em uníssono, gritam ás nossas portas: -“Ti Maria, Pão-por-Deus”.
E eles se amontoam, na esperança que a mão-cheia que se lhe destina seja a mais “carregada”, deitando o olho para ver se alguém leva mais que outro, muitas vezes até chegando a reclamar na sua ingenuidade esse facto. E, de sacola às costas, já derreados pelo peso para tão tenra idade, depressa se encaminham a casa, para proceder à entrega, e assim ficarem livres para uma nova caminhada, porque o dia ainda vai a meio.
Era assim no meu tempo, é quase deste modo ainda hoje, sempre em grupos, como que houvesse uma situação planeada do dia anterior, tudo combinado ao pormenor e, à hora marcada lá estávamos prontos para “bater” casa a casa, na esperança de rapidamente se encher o saco.
É em muitos lugares, tempo também para recordar os que já partiram, aproveita-se a parte da tarde para se fazer uma visita ao cemitério, onde nesta data em particular se procura dar um toque especial nos arranjos de flores, nas campas dos familiares.
É assim, mais um dia que passa, mais umas recordações que brilham nos olhos dos mais velhos, mais uma alegria desenfreada na pequenada, traduzida no procurar arrecadar o máximo de guloseimas e outros bens, que torne cada um como um Vencedor no meio dos seus amigos, pela quantidade amealhada, em cada vez que gritam… “Ti Maria, Pão-por-Deus…”

Uma boa semana para todos / GW

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