sexta-feira, outubro 14, 2005

8 - Eu, o adito e as FA


Eu, o adito e as FA

È chegado o dia da Convenção Anual das Famílias Anónimas , este ano a realizar na cidade de Alcobaça. (15 e 16 Outº 2005)
Possivelmente ainda haverá quem não entenda ou decifre o significado das FA (Famílias Anónimas) e a sua importância na Comunidade, muitas das vezes baseados no velho dilema que “talvez não me aconteça a mim”.
Como já devem ter reparado pelas leituras que têm feito do que escrevo, é notório que algo tenho a ver com o assunto.
Ora bem, há os que vêm ler e que me conhecem, há os que simplesmente conhecem as palavras que aqui deixo, e é nestas palavras que quero partilhar parte de mim e do que tem representado as FA em minha vida e na minha família.
Apresento-me como um pessoa brincalhona e amiga, mas também casmurro na maneira de facilitar a aceitação das coisas mesmo que elas me saltem aos olhos.
A vida tem mesmo destas coisas, e o que “talvez não me aconteça” , acabou mesmo por acontecer, as movimentações no terreno eram demais evidentes, o alterar de voz, a inquietação permanente, o estar descontrolado, tudo isso estava a passar à minha frente e eu não queria ver. O que eu sei é que passaram assim 8 anos da minha vida…
Reconheço ter sido um facilitador e permissivo numa questão que me estava também a derrotar a transportar para o abismo, como se tudo estivesse bem, simplesmente porque a exigência e o jogo da parte do adito me levavam a ceder a chantagens descontroladas, só porque eu via nessa minha maneira de actuar uma comparticipação para o não haver ralhos, não haver disputa, não haver agressões, como tanta vez aconteceu.
Levei tempo a aceitar, muito tempo mesmo, sem força para aceitar o que não podia modificar, essa foi a minha primeira batalha a ultrapassar, o procurar ajuda, o aprender a dizer não, o saber estar, o aceitar a doença e sobretudo considerar que a minha família era composta por mais pessoas que precisavam de mim e que a ajuda entre todos era fundamental para enfrentar tão grave problema “essa, doença para toda a vida”.
Aqui entra a minha presença nas reuniões. Contributo sem igual as minhas participações nas FA, onde encontrei quem escutasse tudo o que ia cá dentro, o poder expelir os meus gritos de raiva, a minha dor, o meu sofrimento
Hoje, estou aqui, quase “feliz” porque procurei ajuda junto de quem viveu e vive de perto problema idêntico . Só a forma como se pode expor situações tão delicadas, o sabermos que nos escutam, as partilhas que assimilamos, e depois, o estarmos também presentes para ajudar com a nossa vivência cada um dos nossos semelhantes. È gratificante olhar para trás e ver o que fui e com um sorriso e um bem-estar saber o que sou, mas sobretudo ouvir quem me rodeia dizer que me nota bem.
Sei que tudo o que perdemos foi quase uma vida, mas também sei que cada dia para mim e para os meus será um dia reconfortante e de bem estar.
Os dias sisudos, de mau humor, “carrancudo” estão a passar à história. Voltei aos pouco a ser quem era, sem deixar de Amar e esse, o Amor , um Amor firme, eu terei sempre disponível para meu filho.
-Bem, tudo isto para relembrar, este fim de semana vou dizer sim , “estou aqui”, acompanhar a Convenção e que a minha presença e as minhas partilhas possam contribuir para o bem estar de alguém. Porque a minha disponibilidade será hoje e sempre…

Bem hajam por me lerem, bem hajam por me escutarem…

Bom fim de semana
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Beijos & Abraços

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