sexta-feira, novembro 25, 2005

37 - Liberdade (in)justificada...

Uma tentativa de golpe de estado de forças militares de esquerda, pára-quedistas, RALIS, etc. é derrotada por forças dirigidas pelo general graduado Ramalho Eanes. O presidente da república, Costa Gomes, decretou o Estado de Sítio na Região Militar de Lisboa, que vigorará até 1 de Dezembro.

Liberdade (in)justificada...

Bem, mas não é do 25 de Novembro de 1975 que eu quero falar, mas sim do 25 de Novembro de hoje e, mais uma vez sobre o processo Casa Pia. Não sei, posso apenas imaginar o que vai no Vosso pensamento, mas nota-se que os portugueses estão cada vez mais fartos dos atrasos verificados com processos, os quais pela sua importância pública e social deveriam ser tão céleres, quanto a necessidade de atribuir e encontrar culpas e através do seu peso no processo, ser então elaboradas as penas a aplicar, ainda mais quando é bem evidente que existem culpados. Fica no entanto, qualquer pessoa perplexa, quando um julgamento tem inicio cerca de 2 anos após as detenções, uma vez que começa em 2004, o que sem margem para dúvidas se reduz no facto de se ficar só com 1 ano para decorrer o julgamento antes que um dos detidos e neste caso, o principal arguido, possa sair em liberdade por ter à data de início do processo cumpridos já 2 dos 3 anos que limitam o tempo em prisão preventiva.
Bem, como já é normal acontecer, não sei se haverá apuramento de outros culpados, além da indigitação como arguidos. Sim, porque esta coisa de se estar “pendurado” à sombra de figuras públicas, “fino” extracto social, relações ao mais alto nível, seria quase de certeza o remexer em muita coisa que pode não interessar no momento.
Como cidadão custa-me crer que depois de tantos depoimentos contra, de tanta coincidência de factos, de tanto (re)lembrar de situações que trazem à memória traumas que já por si o tempo é difícil apagar, se continue a demorar tanto a decidir e a encontrar razão para culpar este ou aquele, pelos actos praticados. Depois há um facto que penso também terá contribuído para esta situação, o de alguns ex-alunos terem vindo a público denunciar o acontecido e sofrido, quando muitos dos crimes já estavam prescritos, só podendo assim, ser julgados os que foram cometidos depois de 1988. Recordo que a acusação referenciou no processo 744 crimes, em que só o réu principal, responde à sua conta, se não estou em erro, a 639 delitos, não esqueçamos que este arguido é indiciado como o elo de ligação entre os internos e todos os outros implicados e acusados de pedofilia.
Mas, como é sabido, o dia da liberdade chegou e agora fala-se na preocupação e do que pode acontecer ao dito cujo, fala-se em grupo de segurança próprio, olhem, na minha opinião fala-se demais, se agora receiam pela liberdade do arguido, podiam ter pensado nisso antes e optado de forma a que não viesse a acontecer o que está a acontecer.
Já agora, será que pensaram também nas pessoas externas ao processo e que vão viver o dia-a-dia com esta decisão, tal como as crianças, os adolescentes, os pais, os educadores e tantos outros que irão viver lado a lado com os implicados no processo. E se há uma recaída destes? E se o arrependimento só acontece nas palavras? Não basta pedir-se perdão, mas sim acima de tudo assumir-se e com vontade própria o querer integrar uma sociedade de uma forma que implique respeito, isso sim, e aí eu tenho algum receio que outras situações idênticas possam acontecer.
Lembro a agitação política gerada em volta deste processo, havendo até pronunciamento à mais alta instância, onde se afirma que sem dúvida as principais vítimas são e serão sempre as crianças (não temos dúvidas) e onde se solicita ao Parlamento que sejam estabelecidas leis severas para a violação do segredo de Justiça. Foi por causa da fuga e divulgação das informações do processo, que caiu o director da Polícia Judiciária relembro.
Muitas figuras famosas foram envolvidas e de uma ou outra forma implicadas no caso (parece-me que não existe fumo sem fogo…) uns, chegaram mesmo a estar em prisão preventiva, acabando por serem colocados em liberdade porque as provas não são conclusivas. E as situações em que há provas e mais provas, isso não conta? Em algumas situações houve vozes externas, que culpabilizam estar perante uma armação política, valha-me Deus… será que estas palavras terão mais peso que a voz dos adolescentes inocentes? .
Se me disserem que existem erros processuais, claro que os aceito, mas também gostava de ver mais esclarecidas algumas situações para as quais ainda não obtivemos qualquer respostas, ou pelo menos respostas conclusivas.
Por hoje é tudo, como é hábito, possivelmente só regressarei ao Vosso convívio literário na próxima 2ª feira, até lá, fiquem bem e tenham um óptimo fim de semana…

Fiquem bem,

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Um Abraço com Amizade / GW

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