terça-feira, novembro 01, 2005

20 - Pão-por-Deus

01-11-2005 – Olá meus Amigos, pensavam que já tinha dado ao “slide” e desaparecido, foi uma simples ausência de fim de semana… na maioria das vezes o GW não deixará notícias em fim de semana, a não ser que ande com o PC portátil atrás de mim. Portanto, nem sequer Vos passe por essa cabecinha, porque adoro vir aqui para Vos melgar. Mas falando de coisas sérias (não se riam p.f.) como estamos de vontade para sair para a rua e reviver tempos antigos, e andar de porta em porta , pedindo o Pão-por-Deus, estão a rir ? pois bem , é isso mesmo que me está a dar vontade de fazer, e , juntar ½ dúzia de amigos, os mais afoitos e partir por aí fora…

“Pão-por-Deus”

Como é tradição, apesar de se notar cada vez menos participação da miudagem, celebra-se em Portugal, no dia de Todos os Santos. 01 de Novembro, esta tão característica visita às casas das redondezas, conhecida pelo pedir “Pão-por-Deus”
As crianças mais ou menos distribuídas por pequenos grupos, saem à rua para cumprir mais uma vez esta tradição. Acordam cedinho, e ainda com os olhos meio esbugalhados pelo mal dormir, saem de sacola na mão (alguns até levam suplente), se passeiam pela povoação, porta sim, porta também, chegando mesmo a deslocar-se às redondezas, de modo a que a justificação de tão grande caminhada seja compensada, com o regresso a casa, trazendo os seus sacos de pano recheados de romãs, batata-doce, castanhas, nozes, rebuçados, e por vezes até algumas moedas.
Apesar de se sentir mais esta festividade nas regiões do interior, também em outras zonas, há sempre uma ou noutra criança que procura seguir o que já no tempo dos seus pais e avós era um hábito. Acredito que a falta de se conseguir grupos, faça escassear a tradição, até porque, ainda me lembro, no meu tempo, poucos eram os que se aventuravam sozinhos, pois em pequenos grupos de 3 ou 4 crianças, o “investimento” se tornava mais rentável, quer pela algazarra que se fazia, quer porque a vergonha e a timidez não era tão notada, e depois, se havia um cão à porta era fugida quase certa pela rua abaixo, que até batíamos com os sapatos no rabiosqui de tanto correr, enquanto que em grupo nada temíamos.
Mas é ainda, um dia especial, nada que se compare com outros anos, mas que ainda dá prazer ver a alegria que os olhos da pequenada transmite, quando quase em uníssono, gritam ás nossas portas: -“Ti Maria, Pão-por-Deus”.
E eles se amontoam, na esperança que a mão-cheia que se lhe destina seja a mais “carregada”, deitando o olho para ver se alguém levava mais que outro, muitas vezes até chegando a reclamar na sua ingenuidade esse facto. E, de sacola às costas, já derreados pelo peso para tão tenra idade, depressa se encaminham a casa, para proceder à entrega, e assim ficarem livres para uma nova caminhada, porque o dia ainda vai a meio.
Era assim no meu tempo, é quase deste modo ainda hoje, sempre em grupos, como que houvesse uma situação planeada do dia anterior, tudo combinado ao pormenor e, à hora marcada lá estávamos prontos para “bater” casa a casa, na esperança de rapidamente se encher o saco.
É em muitos lugares, tempo também para recordar os que já partiram, aproveita-se a parte da tarde para se fazer uma visita ao cemitério, onde nesta data em particular se procura dar um toque especial nos arranjos de flores, nas campas dos familiares.
É assim, mais um dia que passa, mais umas recordações que brilham nos olhos dos mais velhos, mais uma alegria desenfreada na pequenada, traduzida no procurar arrecadar o máximo de guloseimas e outros bens,, que torne cada um como um Vencedor no meio dos seus amigos, pela quantidade amealhada, em cada vez que gritam… “Ti Maria, Pão-por-Deus…”
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Beijokas & Abraços / GW

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